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Prefeitura Municipal de Itariri · Departamento Municipal de Saúde

Protocolo Municipal · Versão 1.0 · Setembro/2026

Infecção do Trato Urinário (ITU)

Protocolo Municipal de Manejo na Atenção Primária à Saúde — Itariri/SP | 2026

“Tratar a pessoa, não apenas o exame.”
  1. Suspeitar
  2. Classificar
  3. Diagnosticar
  4. Tratar
  5. Reavaliar

Classificação clínica imediata

A presença de repercussão sistêmica muda exames, antibiótico, via de administração e destino do paciente.

ITU localizada

Cistite

Sintomas urinários sem sinais ou sintomas sistêmicos.

ITU sistêmica

Pielonefrite · prostatite · urossepse

Infecção urinária associada a repercussão sistêmica.

Bacteriúria assintomática

BACTERIÚRIA ≠ ITU

Bactéria na urina sem sintomas não equivale automaticamente a ITU.

Conduta rápida na APS

Comece pela pergunta que define o ritmo e o destino do atendimento.

Pergunta inicial

O paciente apresenta sinais sistêmicos?

NÃO

Avaliar sintomas urinários → provável ITU localizada/cistite → diagnóstico clínico no quadro típico.

SIM

ITU sistêmica → avaliar gravidade → exames → antibioticoterapia → considerar internação/encaminhamento.

Cistite

Sintomas urinários sem febre, calafrios, hipotensão ou comprometimento sistêmico.

ITU recorrente

≥ 2 episódios em 6 meses ou ≥ 3 episódios em 1 ano. Tratar o episódio, colher cultura e investigar fatores predisponentes.

ITU em homens

Considerar complicada, investigar IST quando indicado e avaliar acometimento prostático.

Gestação

Solicitar EAS e urocultura. Aplicar esquema individualizado e observar limites de segurança gestacional.

Bacteriúria assintomática

Tratar apenas gestantes e antes de procedimentos urológicos com possibilidade de ruptura da mucosa.

Pielonefrite / ITU sistêmica

Avaliar gravidade, colher cultura antes do antibiótico quando possível e definir via oral, IV ou internação.

Critérios de internação

Sepse, instabilidade, intolerância oral, imunossupressão, obstrução, falha ou seguimento domiciliar inseguro.

Diagnóstico e exames

O diagnóstico da cistite típica pode ser clínico; exames devem responder a uma indicação.

Diagnóstico clínico

Mulher jovem com sintomas típicos, sem corrimento vaginal ou sinais sistêmicos: não solicitar EAS ou urocultura de rotina no episódio inicial não recorrente.

Solicitar EAS e urocultura

  • ITU sistêmica/pielonefrite
  • Gestação
  • Sintomas atípicos
  • Falha terapêutica
  • Recorrência precoce ou ITU recorrente
  • Alto risco de resistência
  • ITU em homens

Na ITU sistêmica

  • Urocultura antes do antibiótico, se possível
  • Hemograma
  • Ureia e creatinina
  • Eletrólitos e glicemia conforme contexto
  • USG quando indicada
  • TC em casos graves, atípicos ou sem resposta
EAS e urocultura apoiam a decisão, mas bacteriúria isolada não define ITU. Correlacione sempre com sintomas e contexto clínico.

Esquemas terapêuticos — Protocolo Municipal

Transcrição fiel dos medicamentos, doses, vias, intervalos e durações do documento institucional.

Cistite localizada em mulheres

MedicamentoDoseViaIntervaloDuração
Nitrofurantoína1ª linha100 mgVO6/6 h5 dias
Fosfomicina trometamolPreferencialmente à noite · 1ª linha3 gVODose únicaDose única
Amoxicilina + ácido clavulânico2ª linha500/125 mg ou 875/125 mgVO8/8 h ou 12/12 h7 dias
Cefuroxima axetila2ª linha250 mgVO12/12 h7 dias
Sulfametoxazol + trimetoprimSe resistência local <20% ou sensibilidade800/160 mgVO12/12 h7 dias
CefalexinaConforme sensibilidade/localidade500 mgVO6/6 hConforme protocolo
CefadroxilaConforme sensibilidade/localidade500 mgVO12/12 h7 dias

ITU recorrente / profilaxia

MedicamentoDoseViaIntervaloDuração
Nitrofurantoína profilática100 mgVO1 vez ao diaAté 6 meses
Fosfomicina profilática3 gVOA cada 10 diasIndividualizar
Imunoterapia OM-896 mgVO1 cápsula ao dia30 dias

ITU em homens / suspeita de prostatite

MedicamentoDoseViaIntervaloDuração
Sulfametoxazol + trimetoprim800/160 mgVO12/12 h7 dias
NitrofurantoínaHomem jovem sem suspeita de acometimento prostático100 mgVO6/6 h5 dias
CiprofloxacinaHomem idoso / suspeita de prostatite subclínica500 mgVO12/12 h7 dias
LevofloxacinaHomem idoso / suspeita de prostatite subclínica500 mgVO1 vez ao dia5 dias

ITU sistêmica / pielonefrite — tratamento oral

MedicamentoDoseViaIntervaloDuração
Ciprofloxacina500 mgVO12/12 h7 dias
Levofloxacina500 mgVO1 vez ao dia5 dias
Sulfametoxazol + trimetoprimPreferir com sensibilidade conhecida/adequada800/160 mgVO12/12 h14 dias

ITU sistêmica / pielonefrite — tratamento IV

MedicamentoDoseViaIntervaloDuração
Ceftriaxona2 gIV1 vez ao dia7 dias
Ciprofloxacina400 mgIV12/12 h7 dias
Levofloxacina500 mgIV1 vez ao dia5 dias

Bacteriúria assintomática / gestação

MedicamentoDoseViaIntervaloDuração
NitrofurantoínaEsquema citado para gestação; individualizarNão especificadaNão especificadaNão especificadoAté aproximadamente 36–37 semanas
FosfomicinaEsquema citado para gestaçãoNão especificadaNão especificadaNão especificadoNão especificada
AmoxicilinaEsquema citado para gestaçãoNão especificadaNão especificadaNão especificadoNão especificada
CefuroximaEsquema citado para gestaçãoNão especificadaNão especificadaNão especificadoNão especificada
CiprofloxacinaAntes de procedimento urológico, se não houver contraindicação500 mgVO12/12 h3 a 5 dias

Suporte sintomático — caso operacional

MedicamentoDoseViaIntervaloDuração
Fenazopiridina200 mgVO8/8 h3 dias
Dipirona500 mgVO6/6 h se dorConforme necessidade

Na prevenção da recorrência, o protocolo também admite estrogênio vaginal após avaliação individual em peri/pós-menopausa e cranberry, sem dose padronizada.

Aplicar conforme avaliação clínica, função renal, alergias, contraindicações, gestação, interações, antibiograma e perfil microbiológico local.
Nitrofurantoína e fosfomicina não devem ser utilizadas para pielonefrite/ITU sistêmica. Evitar quinolonas como primeira escolha na cistite não complicada.

Situações especiais

Condições que modificam investigação, tratamento ou seguimento.

Bacteriúria assintomática

Tratar apenas: gestantes e pacientes antes de procedimento urológico com possibilidade de ruptura da mucosa.

Não tratar rotineiramente: mulher saudável, idosos, diabetes controlado, pós-menopausa, institucionalizados, recorrência fora do episódio, cateter sem sintomas e transplantado renal estável assintomático.

Transição IV → VO

  • Melhora clínica
  • Estabilidade hemodinâmica
  • Ausência de febre/calafrios importantes
  • Tolerância oral
  • Opção oral eficaz
  • Cultura sustentando a escolha, quando disponível
  • Ausência de obstrução não resolvida

Quando considerar internação?

  • Sepse ou instabilidade hemodinâmica
  • Vômitos ou incapacidade de tolerar via oral
  • Imunossupressão
  • Obstrução urinária ou suspeita de complicação
  • Falha terapêutica
  • Impossibilidade de acompanhamento domiciliar seguro
  • Condição clínica, social ou cognitiva que comprometa a adesão

Sinais de alarme — reavaliar/encaminhar

  • Febre persistente ou recorrente
  • Dor lombar/flanco intensa
  • Vômitos incoercíveis ou incapacidade de hidratação
  • Calafrios importantes
  • Hipotensão
  • Taquicardia persistente
  • Confusão ou prostração
  • Oligúria
  • Sangramento urinário significativo
  • Piora ou ausência de resposta em 48–72 horas

Prevenção e redução de recorrências

Orientações gerais para reduzir novos episódios.

Hidratação adequada e individualizada
Esvaziamento vesical regular
Evitar automedicação com antibióticos
Adesão integral ao tratamento
Identificar e corrigir fatores predisponentes
Evitar espermicidas quando pertinente
Avaliar atrofia geniturinária
Acompanhar casos recorrentes

Protocolo Municipal — documento principal

Documento operacional oficial para a APS de Itariri.

Documento institucional principal

Protocolo Municipal ITU 2026

Documento operacional para diagnóstico, classificação, tratamento, prevenção, acompanhamento e critérios de encaminhamento das ITUs na APS de Itariri.

Painel rápido — ITU na APS

Material clínico de consulta rápida e impressão.

Materiais educacionais

Documentos e apresentações para aprofundamento e educação permanente.

Apresentações

Capa original — ITU na APS — da chegada do paciente à decisão clínica

ITU na APS — da chegada do paciente à decisão clínica

Apresentação visual sobre classificação, exames, tratamento, recorrência, situações especiais, internação e transição IV→VO.

Capa original — ITU 2026 — tratar a infecção, não o exame
Antimicrobial stewardship

ITU 2026 — tratar a infecção, não o exame

Diferenciação entre bacteriúria e ITU, indicação racional de exames e prevenção do uso desnecessário de antibióticos.

Documentos

PDF institucional

Protocolo Municipal ITU 2026

Documento institucional principal · Versão 1.0 · Setembro/2026.

PDF institucional

Apostila Municipal — Atualização ITU 2026

Material técnico-didático ilustrado para as ações da APS.

Capacitação da equipe

Podcasts, videoaulas e estudos de casos para médicos, enfermeiros e demais profissionais.

Áudios / podcasts

Podcast clínico

Manejo da infecção urinária em Itariri

Podcast clínico — ITU: da queixa à conduta

Podcast clínico

Manejo da infecção urinária na APS

Podcast debate — tratar, investigar ou observar?

Vídeos

ITU — Atualização 2026 Itariri

ITU — 6 pacientes, 6 decisões

ITU na prática — 6 pacientes, 6 decisões

O algoritmo clínico da ITU

Referências e observações

Fonte principal: aula sobre manejo das infecções do trato urinário, transcrita integralmente e acompanhada das imagens e referências apresentadas. EAU 2026, IDSA 2025 e FEBRASGO são referências complementares; não substituem silenciosamente os esquemas terapêuticos definidos no protocolo municipal.

Este material integra o Protocolo Municipal de Manejo das Infecções do Trato Urinário na Atenção Primária à Saúde de Itariri/SP — Versão 1.0 | Setembro de 2026.

O conteúdo destina-se ao apoio à decisão dos profissionais de saúde e não substitui avaliação clínica individualizada.

Secretaria Municipal de Saúde · Itariri — SP · 2026