
Prefeitura Municipal de Itariri
Departamento Municipal de Saúde
Sala Vermelha – Pronto-Socorro Municipal

BRADICARRITMIAS NA SALA VERMELHA
Reconheça a instabilidade. Identifique o bloqueio. Não atrase o marcapasso.
Reconhecimento rápido • ECG • ACLS/AHA 2025 • Marcapasso Transcutâneo • Condutas de Emergência
“Não trate apenas a frequência cardíaca. Trate a perfusão.”
Resumo visual para consulta rápida na Sala Vermelha.
FC baixa não define sozinha a gravidade
O PACIENTE ESTÁ INSTÁVEL?
Hipotensão
Hipotensão clinicamente relevante.
Alteração do sensório
Alteração aguda do estado mental.
Dor torácica isquêmica
Dor/desconforto torácico isquêmico.
Dispneia / deterioração
Deterioração respiratória por baixo débito.
Síncope
Síncope/presíncope associada ao evento.
Choque / hipoperfusão
Sinais de choque ou hipoperfusão.
Insuficiência cardíaca aguda
IC aguda relacionada ao baixo débito.
A perfusão determina a urgência.
Algoritmo de decisão
Algoritmo municipal — Protocolo Bradiarritmias, Versão 1.0 – 2026.
PACIENTE COM BRADIARRITMIA
FC < 50 bpm ou frequência inadequadamente baixa para o contexto → avaliar imediatamente sinais de instabilidade.
INSTÁVEL?
Não — sem instabilidade
- 1Avaliar ECG de 12 derivações
- 2Identificar ritmo/bloqueio
- 3Revisar medicamentos
- 4Investigar causas reversíveis
- 5É bloqueio de alto risco?
- 6Definir observação, avaliação especializada ou regulação
Sim — com instabilidade
- 1Sala Vermelha
- 2Monitorização cardíaca contínua
- 3Oximetria e oxigênio quando indicado
- 4Acesso venoso
- 5ECG se não atrasar a intervenção
- 6Atropina 1 mg IV em bolus
- 7Reavaliar
RESPOSTA ADEQUADA?
SIM → investigar e tratar a causa; confirmar perfusão.
NÃO → epinefrina OU dopamina (infusão titulada conforme protocolo institucional aprovado) e/ou marcapasso transcutâneo → tratar causa reversível → regulação/transferência.
O tratamento e a investigação da causa devem ocorrer em paralelo. Preparar material de pacing precocemente quando o padrão ou a deterioração sugerirem necessidade.
Reconheça o ECG em segundos
Sequência de leitura: FC → regularidade → onda P → relação P:QRS → intervalo PR → QRS → falha de condução → dissociação AV → risco → conduta.
Bradicardia sinusal
FC inadequadamente baixa para o contexto, condução preservada.
Contexto
Monitorizar, ECG, revisar fármacos e causas reversíveis.
Saiba maisBAV de 1º grau
PR > 200 ms; condução P:QRS 1:1.
Menor risco relativo
Menor risco conforme contexto; investigar causas.
Saiba maisMobitz I (Wenckebach)
PR prolonga progressivamente até P não conduzida.
Menor risco relativo
Sem instabilidade nem sinais adicionais: observação e investigação.
Saiba maisMobitz II
PR dos conduzidos semelhante; P subitamente não conduzida.
ALTO RISCO
Monitorização, pacing disponível, não dar alta direta do PS.
Saiba maisBAV 2:1
Uma P conduz / uma P bloqueia.
Tratar com cautela — risco não esclarecido
Com síncope/presíncope: não alta, regulação e avaliação especializada.
Saiba maisBAV avançado
Múltiplas P consecutivas não conduzidas.
ALTO RISCO
Preparar pacing; regulação. Instabilidade = emergência.
Saiba maisBAV total / 3º grau
Dissociação AV completa.
ALTO RISCO
Com repercussão: marcapasso transcutâneo e transferência.
Saiba mais⚠ Mobitz II · BAV 2:1 de risco · BAV avançado · BAV total — bloqueios de alto risco não devem ser minimizados apenas porque o paciente está assintomático neste momento.
Doses de emergência
ATROPINA
Dose inicial
1 mg IV
Em bolus
Repetição
3–5 min
Conforme resposta
Dose máxima
3 mg
Via intravenosa
Bloqueios avançados/distais podem apresentar resposta limitada à atropina.
Não atrase o preparo do marcapasso se o paciente estiver deteriorando.
Epinefrina
Infusão titulada conforme protocolo institucional aprovado.
Suporte cronotrópico/vasoativo quando a resposta à atropina for inadequada.
Dopamina
Infusão titulada conforme protocolo institucional aprovado.
Alternativa à epinefrina; titular conforme resposta clínica.
Segurança medicamentosa: confirmar apresentação disponível, concentração, diluição, bomba de infusão, via, acesso e monitorização antes do início das infusões.
Marcapasso transcutâneo — passo a passo
- □Instalar pás/eletrodos conforme equipamento
- □Selecionar modo marcapasso (pacing)
- □Definir frequência inicial apropriada
- □Iniciar corrente
- □Elevar progressivamente a corrente
- □Identificar captura elétrica
- □CONFIRMAR CAPTURA MECÂNICA (pulso, PA, perfusão)
- □Monitorizar perfusão continuamente
- □Realizar sedoanalgesia quando indicada
- □Organizar regulação e transferência
CAPTURA ELÉTRICA ≠ CAPTURA MECÂNICA
Nunca confie apenas na tela do monitor.
Sedoanalgesia: o pacing é doloroso. Em paciente consciente e com condições hemodinâmicas que permitam, utilizar sedoanalgesia conforme protocolo institucional aprovado. Em paciente criticamente instável, a prioridade é obter captura e restaurar perfusão — a sedoanalgesia não deve atrasar a intervenção salvadora.
Antes de culpar apenas o sistema de condução, procure a causa
Hipóxia
Corrigir oxigenação e tratar a causa.
Hipoglicemia
Corrigir conforme protocolo institucional.
Hipotermia
Reaquecimento e suporte.
Distúrbios do potássio
Protocolo específico de hipo/hiperpotassemia.
Acidose
Tratar a causa; terapia específica quando indicada.
Fármacos bradicardizantes
Betabloqueadores, bloqueadores de canal de cálcio, digoxina, antiarrítmicos.
Síndrome coronariana / IAM
Aplicar protocolo específico.
TEP
Aplicar protocolo específico quando houver suspeita clínica.
Suporte e investigação da causa devem ocorrer em paralelo.
⛔ NÃO DAR ALTA SE:
- BAV total
- Mobitz II
- BAV avançado
- BAV 2:1 de risco não esclarecido, especialmente com síncope/presíncope
- Instabilidade atribuível à bradicardia
- Necessidade de infusão vasoativa/cronotrópica
- Necessidade de marcapasso
- Suspeita de condição grave ainda não esclarecida
ESTAR ASSINTOMÁTICO AGORA NÃO ELIMINA O RISCO.
🎯 Bradiarritmias: decisões de 60 segundos
Você está no plantão. O que faria agora?
Caso 1 — Bradicardia fisiológica / atleta
CASO 1 DE 10Cenário
Homem de 24 anos, atleta, assintomático. PA 118/72, sensório normal, perfusão preservada. FC 46 bpm.
ECG
Ritmo sinusal, P antes de cada QRS, PR normal, condução 1:1.
Qual a conduta imediata?
Desafio relâmpago
5 situações clínicas. Você tem 10 segundos para cada decisão.
Situação 1 de 5
10sFC 42, PA 84/50, sonolento, extremidades frias.
Trilha de aprendizagem — Bradiarritmias
- 1Veja o infográfico
- 2Entenda o algoritmo
- 3Revise os ECGs
- 4Aprenda o marcapasso
- 5Assista às videoaulas
- 6Ouça os podcasts
- 7Teste-se nos casos clínicos
5 mensagens para o plantão
Não trate apenas a frequência cardíaca.
Trate a perfusão.
Reconheça os bloqueios de alto risco.
Não atrase o marcapasso.
Captura elétrica não significa captura mecânica.
Referências e base documental
- Protocolo Municipal de Manejo das Bradiarritmias na Sala Vermelha — Itariri/SP, Versão 1.0 – 2026.
- Fluxograma Assistencial — Sala Vermelha, Pronto-Socorro Municipal de Itariri.
- Apostila Ilustrada de Bradiarritmias — Educação Permanente Itariri.
- Slides 1 e 2 (Simulados de Decisão) — capacitação municipal.
- Base: ACLS/AHA 2025 e diretrizes de estimulação cardíaca referidas no material institucional.
PROTOCOLOS ITARIRI — SALA VERMELHA
Conteúdo destinado à Educação Permanente e apoio à decisão clínica.
Baseado nas referências e documentos apresentados nas fontes desta página.
Dr. Mario Augusto Aparecido de Lima
Estratégia Saúde da Família – Itariri/SP
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