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Prefeitura Municipal de Itariri · Departamento Municipal de Saúde
Capa do Guia Municipal de Consulta Rápida sobre sífilis na gestação, criança exposta e sífilis congênita

Vigilância Epidemiológica

Sífilis na Gestação, Criança Exposta e Sífilis Congênita

Guia Municipal de Consulta Rápida

Atualização 2026

Orientações práticas para diagnóstico, tratamento da gestante, manejo do recém-nascido, seguimento da criança exposta e vigilância epidemiológica.

Baseado na Nota Informativa nº 003/2026/CRT-PE-DST/AIDS/SES-SP — 23 de julho de 2026

O que o profissional precisa saber

10 pontos essenciais para a prática

  • Títulos baixos em VDRL/RPR não excluem sífilis ativa: podem ocorrer na infecção recente, sífilis tardia ou cicatriz sorológica.

  • Não interpretar isoladamente um único título de teste não treponêmico.

  • Testes treponêmicos geralmente permanecem reagentes por toda a vida; o seguimento sorológico é feito com teste não treponêmico.

  • Gestante sem tratamento documentado e sem data de infecção conhecida deve ser considerada como sífilis latente tardia e tratada.

  • Na gestação, tratamento com medicamento diferente de penicilina é considerado inadequado para avaliação do recém-nascido.

  • Após o tratamento, realizar teste não treponêmico mensalmente durante a gestação.

  • Aumento de duas diluições do TNT sugere reinfecção/reativação e exige reavaliação e retratamento da gestante e parcerias.

  • Testar, tratar, acompanhar e orientar as parcerias sexuais; oferecer preservativos e reforçar prevenção de reinfecção.

  • Todo RN de mãe com sorologia reagente no parto deve realizar TNT em sangue periférico, independentemente de tratamento prévio.

  • Toda criança exposta ou com sífilis congênita deve ter seguimento clínico na APS pelo menos até 18 meses.

Diagnóstico: como interpretar os testes

Teste treponêmico

TR • FTA-Abs • TPHA

O que significa
Permanece quase sempre reagente após infecção, mesmo com tratamento adequado.
Uso prático
Ajuda no diagnóstico; não é o principal teste para monitorar resposta.

Teste não treponêmico

VDRL • RPR

O que significa
Apresenta titulação e permite comparação ao longo do tempo.
Uso prático
Solicitar para acompanhamento sorológico e avaliação de variação dos títulos.

Não caia nesta armadilha

“VDRL baixo = doença inativa” é uma interpretação inadequada.

Cicatriz sorológica

Persistência de teste treponêmico e/ou não treponêmico reagente após tratamento anterior DOCUMENTADO e adequado, com queda prévia de pelo menos duas diluições e reinfecção descartada. Informação verbal de tratamento anterior não é suficiente.

Tratamento da sífilis na gestação

Sífilis recente

Primária, secundária ou latente recente (até 1 ano).

Benzilpenicilina benzatina 2,4 milhões UI IM

1x/semana; 1,2 milhão UI em cada glúteo; dose única.

Dose total
2,4 milhões UI IM
Seguimento
TNT mensal

A Nota registra que certas evidências indicam possível benefício de uma dose adicional após 1 semana para prevenção da sífilis congênita.

Sífilis tardia

Latente tardia (>1 ano), duração ignorada ou terciária.

Benzilpenicilina benzatina 2,4 milhões UI IM, 1x/semana por 3 semanas

1,2 milhão UI em cada glúteo.

Dose total
7,2 milhões UI IM
Seguimento
TNT mensal

Intervalo ideal entre doses: 7 dias.

O tratamento materno foi adequado?

Checklist para APS e maternidade

  • Tratamento completo e finalizado antes do parto.
  • Realizado com benzilpenicilina benzatina (penicilina G benzatina).
  • Esquema compatível com a classificação clínica da sífilis materna.
  • Tratamento iniciado até 30 dias antes do parto.
  • Comprovação documental: caderneta da gestante e/ou prontuário; não considerar apenas informação verbal.

Documentação é fundamental

Não considerar apenas informação verbal sobre tratamento anterior.

Na maternidade, conferir

Datas e doses aplicadas • testes treponêmicos e não treponêmicos • titulação no diagnóstico e no seguimento • tratamento das parcerias sexuais.

Parcerias sexuais e reinfecção

  1. Testar
  2. Tratar
  3. Acompanhar
  4. Orientar
  5. Prevenir reinfecção

Atenção

Parcerias sexuais de casos de sífilis podem estar infectadas mesmo com testes imunológicos não reagentes.

A Nota recomenda tratamento presumível com uma dose de Benzilpenicilina benzatina IM 2.400.000 UI. Se o teste for reagente, tratar conforme o estágio clínico da sífilis adquirida, acompanhar trimestralmente com TNT e notificar o caso.

Oferecer preservativos e orientar uso em todas as relações sexuais durante o pré-natal.

Na maternidade: o que fazer com o recém-nascido?

Mãe com teste rápido e/ou TNT reagente no parto

Realizar TNT sérico na mãe e no RN ao mesmo tempo

  1. 1

    Avaliar tratamento materno

  2. 2

    TNT pareado mãe–RN

  3. 3

    Exame físico minucioso

  4. 4

    Comparar titulações

  5. 5

    Investigar quando indicado

  6. 6

    Definir tratamento

  7. 7

    Notificar quando preencher critério

  8. 8

    Contrarreferenciar para APS

  • Avaliar criteriosamente se o tratamento materno foi adequado e documentado.
  • Realizar TNT em sangue periférico de todo RN de mãe com sorologia reagente no parto.
  • Realizar exame físico minucioso. A maior parte das crianças com sífilis congênita pode ser assintomática ao nascer.
  • Quando indicado pelo fluxograma: hemograma, RX de ossos longos e líquor (celularidade, proteinorraquia e VDRL), além de outros exames conforme avaliação clínica.
  • Se a mãe não foi tratada ou foi inadequadamente tratada, notificar para sífilis congênita e seguir o fluxograma de investigação e tratamento da Nota.
  • A decisão clínica deve seguir o fluxograma da Figura 1 da Nota Informativa nº 003/2026.

Tratamento da sífilis congênita — período neonatal

Benzilpenicilina potássica (cristalina) 50.000 UI/kg IV

Intervalo
12/12h até o 7º dia; 8/8h a partir do 8º dia
Duração
10 dias
Indicação
Crianças COM ou SEM neurossífilis.

Benzilpenicilina procaína 50.000 UI/kg IM

Intervalo
1 vez/dia
Duração
10 dias
Indicação
Crianças SEM neurossífilis.

Reiniciar se houver atraso >24 h na dose.

Benzilpenicilina benzatina 50.000 UI/kg IM

Intervalo
Dose única
Duração
Dose única
Indicação/observação
RN de mãe não tratada/inadequadamente tratada, exame físico e complementares normais e TNT NÃO REAGENTE ao nascimento.

RN entre o 8º e o 28º dia de vida inicia Benzilpenicilina cristalina com intervalo de 8/8h por 10 dias.

Período pós-neonatal

Benzilpenicilina potássica (cristalina) 50.000 UI/kg IV, a cada 4/4h a 6/6h, por 10 dias

Crianças COM ou SEM neurossífilis.

Antes da alta, garantir

  • Resumo de alta completo
  • Resultados dos exames
  • Tratamento realizado
  • Classificação/avaliação da criança
  • Contrarreferência para Atenção Primária à Saúde
  • Consulta de puericultura agendada
  • Plano explícito de seguimento clínico e laboratorial

Seguimento na APS — do nascimento aos 18 meses

  1. 1ª semana

    Consulta

    — sem TNT

  2. 1 mês

    Consulta

    TNT

  3. 2 meses

    Consulta

    — sem TNT

  4. 3 meses

    — sem consulta

    TNT

  5. 4 meses

    Consulta

    — sem TNT

  6. 6 meses

    Consulta

    TNT

  7. 9 meses

    Consulta

    — sem TNT

  8. 12 meses

    Consulta

    TNT

  9. 18 meses

    Consulta

    TNT

Quando parar o seguimento laboratorial?

TNT nos meses 1, 3, 6, 12 e 18. Interromper seguimento laboratorial após DOIS testes não reagentes consecutivos.

Realizar teste treponêmico após os 18 meses, especialmente nas crianças que não preencheram critério para tratamento na maternidade. Se reagente, investigar, tratar e notificar.

Casos de sífilis congênita devem ser avaliados por especialistas no seguimento pós-neonatal a cada 6 meses durante 2 anos, visando alterações oftalmológicas, audiológicas e neurológicas. Se houve alteração do líquor na maternidade, repetir punção lombar a cada 6 meses até normalização.

Quem deve ser notificado?

Gestante com sífilis

Notificar

Toda gestante com diagnóstico de sífilis deve ser notificada durante o pré-natal. Se o diagnóstico ocorrer no parto ou pós-parto, a maternidade/casa de parto deve notificar a parturiente/puérpera.

Sífilis congênita

Notificar no SINAN

Crianças que preencham critério de sífilis congênita devem ser notificadas no SINAN.

Criança apenas exposta

Monitorar o seguimento

Crianças expostas podem ser comunicadas à Vigilância para monitoramento, mas a Nota recomenda não incluí-las no SINAN.

Para evitar duplicidade, recomenda-se registrar o número do SINAN na caderneta da gestante.

Sífilis 2026 em 1 minuto

Gestante

  • Diagnosticar e estadiar.
  • Tratar com Benzilpenicilina benzatina conforme estágio.
  • TNT mensal.
  • Na série de 3 doses: ideal 7 dias; intervalo >9 dias exige reinício do esquema.
  • Testar/tratar parcerias e prevenir reinfecção.

Parto / Recém-nascido

  • Confirmar tratamento materno DOCUMENTADO.
  • TNT sérico pareado mãe-RN.
  • Examinar minuciosamente o RN.
  • Aplicar fluxograma de investigação/tratamento.
  • Garantir alta qualificada e contrarreferência.

Puericultura

  • Consultas: 1ª semana; 1, 2, 4, 6, 9, 12 e 18 meses.
  • TNT: 1, 3, 6, 12 e 18 meses.
  • Parar seguimento laboratorial após 2 TNT não reagentes consecutivos.
  • Teste treponêmico após 18 meses, conforme recomendação da Nota.

Vigilância

  • Gestante com sífilis: notificar.
  • Sífilis congênita: notificar no SINAN.
  • Criança apenas exposta: monitorar; a Nota recomenda não incluir no SINAN.
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Materiais para download

Guia Municipal de Consulta Rápida — Sífilis 2026

PDF • Prefeitura Municipal de Itariri

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Documento-base

Nota Informativa nº 003/2026/CRT-PE-DST/AIDS/SES-SP, de 23 de julho de 2026.

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Documento oficial • SES-SP • 2026

Documento oficial — Nota Informativa nº 003/2026

Atualização das orientações para tratamento da sífilis em gestantes e manejo clínico da sífilis congênita e da criança exposta

Centro de Referência e Treinamento DST/AIDS
Programa Estadual de DST/AIDS – CCD – SES-SP
São Paulo, 23 de julho de 2026

A Nota Informativa nº 003/2026/CRT-PE-DST/AIDS/SES-SP atualiza as orientações para o tratamento da sífilis durante a gestação e reitera o manejo clínico e epidemiológico dos casos de sífilis congênita e das crianças expostas à sífilis no Estado de São Paulo.

Este é o documento técnico oficial utilizado como referência para o Guia Municipal de Consulta Rápida de Sífilis do Município de Itariri.

O que você encontra neste documento

  • GESTAÇÃO

    Diagnóstico, tratamento e monitoramento.

  • TRATAMENTO

    Benzilpenicilina e esquemas terapêuticos.

  • RECÉM-NASCIDO

    Avaliação, investigação e manejo.

  • PUERICULTURA

    Seguimento clínico e laboratorial até 18 meses.

  • VIGILÂNCIA

    Critérios e fluxograma de notificação.

Leia a Nota Informativa na íntegra

Documento oficial em PDF • 12 páginas • Nota Informativa nº 003/2026 — Tratamento da sífilis em gestantes e manejo clínico da sífilis congênita e criança exposta — SES-SP.

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Materiais sobre sífilis

Consulta rápida

1. Guia Municipal de Consulta Rápida

Versão municipal organizada para consulta objetiva durante a assistência.

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Documento oficial • na íntegra

2. Nota Informativa nº 003/2026

Documento técnico oficial do Centro de Referência e Treinamento DST/AIDS — Programa Estadual de DST/AIDS — SES-SP.

Referência

SÃO PAULO. Secretaria de Estado da Saúde. Centro de Referência e Treinamento DST/AIDS – Programa Estadual de DST/AIDS – CCD – SES-SP. Nota Informativa nº 003/2026/CRT-PE-DST/AIDS/SES-SP. Dispõe sobre atualização em relação às orientações para o tratamento da sífilis em gestantes e reitera o manejo clínico dos casos de sífilis congênita e criança exposta no Estado de São Paulo. São Paulo, 23 de julho de 2026.

Documento técnico de referência

O conteúdo desta Nota Informativa é de responsabilidade de seu órgão emissor e está sendo disponibilizado pelo Município de Itariri para facilitar o acesso dos profissionais de saúde às recomendações técnicas vigentes utilizadas como referência municipal.

Prefeitura Municipal de Itariri

Departamento Municipal de Saúde

Guia Municipal de Consulta Rápida — Atualização 2026

Baseado na Nota Informativa nº 003/2026/CRT-PE-DST/AIDS/SES-SP, de 23 de julho de 2026.

Este material reorganiza e apresenta visualmente o conteúdo técnico para consulta municipal. Em situações de dúvida clínica ou epidemiológica, consultar o documento-base.